Quando regressei da Índia a frase que mais ouvi foi talvez “então e as praias de Goa?”. E eu, um pouco perplexa com este mantra, vejo-me aflita para explicar que para mim as praias de Goa não foram as do postal ilustrado, protagonistas das varandas dos hotéis e resorts de luxo, ou das loucas rave-parties dos ingleses.As praias que visitei e fotografei foram as praias dos pescadores e dos mercados; as praias percorridas pelos vendedores de artigos variados e onde também as vacas se passeiam; as praias onde as crianças brincam e os adolescentes namoram; as praias onde as tias combinam casamentos e discutem alianças. Quase desertas durante as horas de calor, enchem-se de gentes ao pôr-do-sol num ritual diário de uso e costume; num prolongamento dos alpendres domésticos. Praias onde a luz e a areia se combinam para melhor realçar as cores dos shalwar kameez e dos saris e onde as ondas se quebram no tilintar das pulseiras. Onde as dunas são (realmente) como divãs. Foram essas as praias que vi e cujas imagens aqui vos deixo.AL (com Micas e Ze Joao)