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[/caption](por AL [ainda] comovidamente estupefacta) -Em Outubro do ano passado postei o texto que se segue no maschamba. Repito-o agora porque estamos em novo processo de divisão (melhor seria dizer multiplicação) de amizades no facebook.Tal como então, também agora me confronto com as mesmas reacções e emoções, pelo que o texto não perdeu pertinência. Faço no entanto algumas actualizações: o grupo Ma-schamba no facebook conta agora (28 de Fevereiro de 2011 - 00:43) com 4,952 membros; eu conto com 3,520 amigos; "conheci" um primo afastado mas de parentela muito próxima e a página foi entretanto extinta.O título do post na altura era Amizades Virtuais e rezava assim:O heading do email dizia “partilhar amigos”; vinha de um dos co-maschambeiros. Dizia ele que seria interessante que os subscritores do grupo maschamba tivessem igualmente acesso às nossas páginas individuais do facebook, caso assim o desejassem, pois se davam por vezes aí debates engraçados que não figuravam na página do grupo. Claro!, pensei de imediato e disse que sim, esquecendo por momentos que o grupo Ma-schamba no facebook conta neste preciso momento (16:12 horas do dia 24 de Outubro) com precisamente 3,969 membros e a página vai com 1,749 aderentes.Tendo tão prontamente aquiescido, também prontamente começaram a “chover” sugestões de amizade: 100, 150, 200 …. num crescendo de progressão geométrica ao ritmo dos meus cliques nos “add as a friend” . Menos de uma hora depois recebo uma gentil mensagem do pessoal do facebook a dizer-me que tendo eu estado a “utilizar indevidamente” (!!) a aplicação “request friends” ficaria impedida de o fazer durante as 48 horas seguintes, correndo o risco de ser definitivamente barrada do facebook caso insistisse em tal “utilização indevida” (!!). Passada a primeira indignação (como é que eles sabem se é “utilização indevida”?) e a primeira humilhação (mas quem julgam eles que sou eu?) acabo por aceitar que a protecção da nossa privacidade terá o seus custos e decido ficar quieta, determinada a clicar apenas nos “confirm” dos pedidos individuais de quem mos faça.Confesso que tem sido tocante (à falta de adjectivo que melhor expresse a espécie de ternura que me invade a cada pedido) ver a quantidade de pessoas que comigo pretendem amigar-se. Comigo, uma desconhecida, escritora menor de um blog extraordinário, é verdade (e desculpem o auto-elogio mas o maschamba é mesmo bom!), mas para cuja qualidade pouco contribuo. E não se pense que se trata de um pedido de clique e já está. Não senhora, nada disso! Muitos enviam-me pequenas mensagens particulares, dão-me boas vindas mais ou menos públicas; mostram-me pequenos sinais inequívocos de apreço. Não deixo de comover-me com este fenómeno. Lamechas, dirão alguns. Verdade, mas não será isso que tira valor ou genuidade à minha emoção.Dou de repente por mim a conhecer blogs novos, páginas que nem sonhava existirem, a ser convidada para uma multitude de “eventos”, solicitada a apoiar causas diversas, a escutar músicas há muito esquecidas ou até agora ignoradas. Vou neste momento com 1,359 amigos e tenho mais de 800 sugestões ainda pendentes. A todos agradeço aqui. A minha página do facebook está muito mais rica e interessante. Vivam (também) os nossos amigos virtuais.









(AL)E não, não tem a ver com a idade, nem com o crescimento dos filhos, nem com as dores nas juntas (a essas não lhes dou importância). Acho que estou a envelhecer porque cada dia me parecer mais que o mundo faz menos sentido. E isto, acho eu, é talvez o primeiro sinal de envelhecimento – quando o mundo começa a deixar de fazer sentido.Vem este meu comentário a propósito de duas ou três coisas com que hoje me deparei. A primeira foi uma petição contra a exclusão da religião cristã na agenda anual da União Europeia. Segundo os autores da petição, a dita agenda menciona as datas religiosas de todas – ou quase todas – religiões, excepto a cristã, tendo mesmo deixado de fora o Natal. Não interessa para o caso se professo ou não uma outra religião; a minha fé, se tiver que ter uma, será a da liberdade de cada um poder escolher aquilo em que quer acreditar e dos outros respeitarem essa escolha. Este “mea culpa” europeu cada vez me confunde mais. Será que só respeito a cultura/religião dos outros se desvalorizar e penalizar a minha?Em Dezembro passado abundavam nos Estados Unidos os debates sobre o desejar Merry Holidays em vez de Merry Christmas “por respeito para com outras religiões”. Se vamos deixar de dizer Feliz Natal, iremos também exigir que, por exemplo, os judeus deixem de dizer Feliz Hannukah? Exigir que se diga jejum em vez de Quaresma ou de Ramadão? Onde acaba o respeito e começa a patetice?Ainda não estava eu refeita desta, surge-me a notícia do ultraje público criado na China por causa de um truque realizado com peixinhos vermelhos. Aparentemente, o programa da TV oficial sobre as celebrações do novo ano lunar incluiu um ilusionista (?) com uma exibição de “natação sincronizada” com peixinhos vermelhos. Parece que suspeitam que o ilusionista usa magnetes para fazer o truque. E sabe-se lá o mal que estes magnetes podem fazer aos pobres dos peixinhos. E lá temos os activistas chineses dos direitos dos animais a criarem uma onda mundial de solidariedade. Não me interpretem mal, sou por princípio contra a crueldade. Mas peixinhos vermelhos? Num país onde se executam publicamente criminosos com um tiro na cabeça e se cobra à família o preço da bala; num país onde existem gaiolas com cães, gatos e outros animais vivos à porta dos restaurantes, para que o freguês escolha o seu petisco; num país onde se deitam fora meninas porque as famílias querem um filho varão e não podem ter mais que um descendente; num país onde se “re-educam” opositores ao regime – e isto só para dar poucos exemplos – as vozes só se levantam por causa dos peixinhos vermelhos? Peixinhos vermelhos?Por cá, vão-se proibindo os animais nos circos e querem acabar com as touradas. A mim custa-me a acreditar que um domador que entra numa jaula de leões maltrate estes animais. E sim, admiro a coragem dos forcados e a beleza do toureio a cavalo.Será que qualquer dia irão proibir os matadouros e dar-nos cabo do direito de comermos um bom bife, arrasar-nos os chouriços e banir os sapatos e os cintos de cabedal? E a seda – fibra oriuna da exploração de pequenas larvas indefesas? E a lã que nos aquece e é vilmente retirada das ovelhinhas tão queridas? E o queijo de ovelha ou de cabra? E os camarões e os peixinhos do mar, mortos cruelmente por asfixia para adornarem as brasas do nosso deleite? E os mosquitos?Mas abandonam-se diariamente dezenas de animais e os canis e outras instituições que os recolhem lutam com falta de fundos para os manterem e vêem-se forçados a abatê-los. Sou animal e predadora – cúmplice do abate de animais para me alimentar e sobreviver (não, uma dieta vegetariana para mim não é consolo, lamento). Aprendo no dia a dia a viver com esta realidade da minha incongruência do respeito pela vida que professo e da gula que me guia.Ah! E sim, é um post etnocêntrico e umbiguista, mas é meu. Mas peixinhos vermelhos?A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.