Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

maschamba



Quinta-feira, 21.04.11

Contrastes (re-edição)

[caption id="attachment_27379" align="aligncenter" width="1106" caption="Na rota do sal - Mali - A caminho de Timbuctu"][/caption]A caminho de Timbuctu quase no fim do harmatão, surpreenderam-nos do nada em jeito de miragem. Aproximaram-se sem surpresa do LandRover verde escuro; assalaamu alaykum. Trocámos por um sorriso e um Shukran! a água fresca pelo ar condicionado. Despedimo-nos na trindade do gesto islâmico – do coração, com a palavra, no pensamento. Intemporalmente na rota do sal…Celebrou-se esta semana o Eid ul Adha.PS: este post foi originalmente publicado em 29 de Novembro de 2009 na primeira encarnação do Ma-schambaAL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 02:54

Quarta-feira, 20.04.11

Más companhias e maus passos ou como foi que eu comprei uma ponte

[caption id="attachment_27368" align="aligncenter" width="500" caption="Deception Pass Bridge"][/caption]Diz-se que há uma vez para tudo e recentemente estreei-me num lado sórdido da vida, que nunca pensei poder tocar-me. Sou por natureza de trato fácil, rege-me a vida a compaixão, não sou de rancores nem ressentimentos. Dizem-me generosa. Mas sobretudo sou confiante nos outros; desconfiar e estar de pé atrás consome demasiada energia. Sendo pouco sagaz no julgamento de carácteres, já há muito que escolhi confiar e aceitar desilusões ocasionais que viver na constante desconfiança das intenções alheias.Recentemente, dei muito de mim e apoiei incondicionalmente pessoa que cria amiga e que, sem esse meu apoio, dificilmente teria superado etapas que superou. Fui-me apercebendo com o tempo que algo não batia certo, mas amizade e lealdade fechavam-me os olhos – amigos são amigos e para serem defendidos de ataques alheios. Sob a capa de uma pretensa honestidade fui sendo ludibriada.Só mais recentemente, e da pior maneira, me apercebi da extensão do logro: uma vida complicada, semeada de imposturas e enganos, arrastando consigo o seu séquito de inimizades. Entre vários episódios pouco edificantes, comecei a receber cartas anónimas denunciando comportamentos questionáveis e condenáveis que essa pessoa amiga teria, inclusive comentários muito pouco abonatórios que teria dito sobre mim.Estando longe dessa pessoa amiga, que na altura e com o meu apoio tentava refazer uma nova vida longe de Portugal, fiz scans das cartas que encaminhei para o alvo pretendido. Tendo um scanner tecnologicamente pouco avançado não me permite este selecionar resoluções baixas e faz-me ficheiros muito pesados. Conhecedora das dificuldades da internet receptora, abri os ficheiros gerados pelo scan em preview, fiz copy e paste para o word e transformei o word novamente em pdf, tendo assim obtido um ficheiro de tamanho gerível mesmo para uma rede fraca e inconstante. Encaminhei os ditos ficheiros pdf para a pessoa amiga e respectiva companhia, sendo ambas mencionadas nas ditas cartas que continham acusações que a ambas diziam respeito. E rapidamente me desfiz delas. Eram sujas, sórdidas e cobardes; bajulavam-me numa pretensa admiração descabida e talvez com o intuito de realçar a vileza da outra parte. Nem no lixo cá de casa as queria ter. Fiz forward por email e igualmente as apaguei do computador que nem por associação queria assim conspurcado.Vi-me sem querer enredada numa teia de insultos, escárnio e mal dizer. E agora, sou abertamente acusada pela pessoa amiga em questão de ser eu a autora de tais cartas. Talvez por dificuldades que elas putativamente lhe terão levantado ou poderão vir a levantar e, num padrão que fui adivinhando de sacudir a água do capote, veio a porcaria aterrar em cima de mim, aviltando-me um carácter que tenho por digno.Assim e aqui publicamente afianço que nunca eu, AL, escrevi uma carta anónima na minha vida; nunca deliberadamente magoei ou vilipendiei alguém; nunca me escondi detrás de duplicidades mesquinhas. Estou indignada por uma acusação imerecida, deslocada e que assim enxovalha e emporcalha o meu carácter e atenta contra a minha honra.É nesta altura que me lembro das palavras de um homem que amei e me dizia: querida, no caso do homem que comprou a ponte e do homem que vendeu a ponte é melhor sermos o homem que comprou a ponte, porque esse ao menos tem honra. E por ser uma mulher honrada aqui deixo este desabafo. Finalmente comprei uma ponte!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 13:26

Quarta-feira, 20.04.11

Apresentação

 

[caption id="attachment_27359" align="aligncenter" width="768" caption="Praia da Carrusca"][/caption]
Aqui está minha vida — esta areia tão claracom desenhos de andar dedicados ao vento.Aqui está minha voz — esta concha vazia,sombra de som curtindo o seu próprio lamento.Aqui está minha dor — este coral quebrado,sobrevivendo ao seu patético momento.Aqui está minha herança — este mar solitário,que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.
Cecília MeirelesAL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 02:21

Terça-feira, 19.04.11

Mundos paralelos

Existe em Marraquexe um souk sui generis, um pouco fora do circuito turístico principal (tanto quanto isso é possível numa cidade como esta). Pululava com gente local à procura de roupa barata, panelas e outros utensílios domésticos (made in Tawan, quiçá). Ali se desenrolava a vida da gente local.[caption id="attachment_27334" align="aligncenter" width="922" caption="Utilitarios"][/caption][caption id="attachment_27337" align="aligncenter" width="922" caption="Os manequins viram-nos as costas"][/caption][caption id="attachment_27338" align="aligncenter" width="922" caption="Sobresselentes para motores"][/caption]Ao fundo, uma porta quase despercebida da muralha e entramos no mundo da história da cidade contada pelos objectos que ali se vendem, legados e testemunhos das gentes que a habitaram.

AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 01:24

Terça-feira, 12.04.11

Tecendo a vida

Deixei-me enlear nos fios de Quinhamel; bons enleios estes. De outros, dos que não prestavam, me desenredei. Sou uma mulher feliz.[caption id="attachment_27214" align="aligncenter" width="922" caption="Das meadas se fazem carrinhos de linhas"]Das meadas se fazem carros de linhas[/caption]

[caption id="attachment_27215" align="aligncenter" width="922" caption="Uma oficina de fios e de luz"]Uma oficina de fios de luz[/caption]

[caption id="attachment_27216" align="aligncenter" width="922" caption="A cada cor e padrao corresponde uma etnia"][/caption]

[caption id="attachment_27218" align="aligncenter" width="922" caption="Ajuda para que nada se enrede ..."][/caption]

[caption id="attachment_27219" align="aligncenter" width="922" caption="... no enredar do padrao"][/caption]Guiné-Bissau. Abril 2011AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 19:03

Terça-feira, 12.04.11

PALOPs

O projecto até que é muito bom e de louvar. O português é que saiu furrado![caption id="attachment_27207" align="aligncenter" width="922" caption="Quinhamel / Guine-Bissau Abril 2011"][/caption]

AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 18:42

Sábado, 02.04.11

Os erros

A confusão a fraude os erros cometidosA transparência perdida — o gritoQue não conseguiu atravessar o opacoO limiar e o linear perdidosDeverá tudo passar a ser passadoComo projecto falhado e abandonadoComo papel que se atira ao cestoComo abismo fracasso não esperançaOu poderemos enfrentar e superarRecomeçar a partir da página em brancoComo escrita de poema obstinado?
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 12:58

Sexta-feira, 01.04.11

Jogos de amizade, ou sobre formas perversas de violência, ou sobre a igualdade

Há situações na vida que não sei porquê me fazem pensar nas escolas de condução: ensinam-nos a guiar mas nunca nos preparam para as emergências. Temos lições nas estradas direitinhas e asfaltadas, aprendemos a fintar o trânsito, a arrumar melhor ou pior o carro. O que nunca aprendemos é como guiar numa picada, ou o que fazer se uma criança se atravessa de repente à nossa frente, se rebenta um pneu ou se nos cruzamos com um camião descontrolado. A vida às vezes também é assim.Vem isto a propósito de uma amiga minha. Ligou-me hoje: estás em casa, posso passar por aí? Sim, vem. Entrou visivelmente incomodada. Tenho um admirador secreto, diz ela em tom de confissão. Nada de ameaçador ou aterrador estilo filme negro americano, mas alguém que lhe envia mensagens escritas a gabar-lhe o traje, por exemplo, ou a dizer-lhe que com ela se cruzou e a achou triste ou com um sorriso bonito. Tudo isto sem se identificar e sempre com reafirmações que não deve ela recear algum mal dali chegado. Hoje tinha na caixa do correio uma rosa. Sem bilhete e sem mensagem. Uma simples rosa enfiada na caixa do correio, como que a celebrar os dias bonitos que temos tido. Que fizeste? Nada! Nem coragem tive ainda de contar a alguém. Porquê? Porque tenho vergonha e porque de uma forma perversa sinto culpa. Sinto-me suja, invadida, humilhada e sinto que se contar vão logo pensar: esta alguma fez para isto acontecer.E eu, ainda estupefacta e antes que saísse algo mais da minha boca, lembrei-me de situações semelhantes em que também eu fui ameaçada e me calei, exactamente pelas mesmas razões e pelos mesmos sentimentos. Típicos do processo de vitimização e enraizados nos preconceitos que nos regem a nós, mulheres e homens. Somos profissionais independentes e cidadãs autónomas, criamos famílias; fazemos o que qualquer homem faz. Perante a lei somos iguais, gozamos dos mesmos direitos; até nos sentimos iguais. Ninguém questiona já esta igualdade e sua justeza. Mas circunstâncias como estas mostram-nos o caminho que ainda nos falta percorrer.Vamos até supor que o admirador secreto da minha amiga é bem intencionado e inofensivo e até pode pensar que lhe traz alguma alegria com estes pequenos gestos de adulação; que nunca lhe tenha ocorrido que tais gestos possam ser sentidos como invasores da privacidade e sentidos como ameaça latente. É na sua falta de interrogação e no seu pressuposto do agrado que reside a nossa desigualdade; é na nossa incapacidade em superar esta vergonha e culpa que sentimos, que nos desigualamos.E aqui lembro-me de uma amiga minha iraniana que uma vez me disse que nós mulheres ocidentais pagamos um preço elevado pela nossa liberdade – não temos igualdade, diga a lei o que disser, e não temos ninguém que nos proteja e que véus também nós os usamos, só que os nossos são transparentes.Olho desolada para a minha amiga e não sei o que lhe dizer.AL

Autoria e outros dados (tags, etc)

por AL às 19:57

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Abril 2011

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930