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maschamba


Sábado, 10.11.12

Aniversário

 

Maputo, dizem-me, comemora hoje 125 anos de vida. Cidade que tanto quero e que tão bem me tem tratado. Assinalo a data aqui com a imagem que a ela sempre associo – as acácias rubras que começam já a cobri-la como um manto. Estas estão à porta da minha varanda e estão lindas!AL

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por AL às 13:36

Segunda-feira, 22.10.12

A mais velha

 São 96 anos de idade condensados em pouco mais de um metro de gente. Uma força da natureza e uma alegria inesgotável de viver. Sabes filha?, quem me dera ser nova agora! Não devia ter nascido quando nasci, agora é que era! Poder ir estudar, ser uma profissional... Isso é que eu gostava. Tu não deixes nunca de estudar, ouviste? Se eu fosse nova agora ninguém me agarrava! Vinca-se-lhe o sorriso no rosto com o sonho desta sua vida por viver; carrega-se-lhe a ternura nos olhos quando olha para nós, a geração que vive o sonho dela.Juntou-se a nós naquele dia, em local remoto. Desce do carro (não venham a correr a ajudar-me que eu não sou inválida; se precisar de ajuda eu peço), bengala numa mão, laptop na outra.- Tia, trouxe o seu laptop...- Ai sim filha que tenho muita coisa que ainda quero fazer, muitas saudações a enviar. Tenho uns emails para escrever e tenho que falar no skype com algumas amigas, sabes?- Mas tia, digo eu algo perplexa, aqui não há acesso à internet...- Não faz mal filha que eu não uso nada dessas coisas que vocês usam, eu só uso o gmail e o skype.É assim a minha Tia, a mais velha da família. E eu adoro-a!AL  

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por AL às 21:12

Quinta-feira, 18.10.12

Momentos mastercard

 Alô central, aqui 02 02 escuto....Fssshhhhh.... fsssshhhhh.... fsssshhhh02 02 chama central, escuto.Fssshhhhh.... fsssshhhhh.... fsssshhhh(umas três ou quatro vezes depois)Central aqui 02 02 escuuuuto pá!02 02 aqui central escuto.Estou na porta da casa com cliente, cliente está quinhentada, não tenho troco, estou a pedir ir xxxx fazer trocação. Escuto.Fssshhhhh.... fsssshhhhh.... fsssshhhh(quatro ou cinco vezes depois do mesmo e tom cada vez mais impaciente)Alô central, aqui 02 02 estou reclamar este djob muito negativo! Cliente na porta da casa, está quinhentada, não tenho troco, estou a pedir ir xxxx fazer trocação. Escuuuuto pá.(vira-se para trás)Desculpa mãe, djob muito negativo, sorry lá...Sorrio, digo: deixa lá, estás a fazer o que podes, não tenho pressa.Sorrio, penso: quinhentada? Djob negativo? Trocação? Sorry lá? Adoro! Vivam os táxis Marcelo!AL

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por AL às 20:50

Domingo, 23.09.12

Na ponta dos dedos

 Ensimesmada e nostálgica com a despedida breve de amigos que partiam para terra lusa, apresentei ao caixa o bilhete do estacionamento. Acho que fiquei menos de quinze minutos, digo. Vamos ver já isso mamã. Sorrio com a ternura do mamã e a jovialidade do caixa. Vejo-o meter o bilhete na máquina de leitura. Faz um ar admirado. Mamã, afinal este bilhete diz aqui que tem que pagar; diz que é um beijo. Mas a mamã não se preocupe que este pago eu por si. Atira-me um beijo na ponta dos dedos e abre-me a cancela.Um sorriso e um gesto singelo que me puseram o sol na alma e amenizaram as agruras do resto do dia. Afinal há gestos felizes. Bem haja!AL 

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por AL às 06:57

Sexta-feira, 21.09.12

Nunca mais a tua face será pura limpa e viva ...

 Abrem estes versos o poema “Meditação do Duque de Gândia sobre a morte de Isabel de Portugalde Sophia de Mello Breyner Andresen, um poema belíssimo de amor e perda que termina com um pranteioNunca mais servirei senhor que possa morrer”. Veio-me este à memória a propósito do lançamento do novo livro de Manuela Gonzaga, escritorabloguista, intitulado Imperatriz Isabel de Portugal, cujo lançamento acima se anuncia. Sobre o livro diz Manuela Gonzaga:
“... uma grande história de Amor. Amor de Isabel a Portugal, o seu país de origem, que nunca esqueceu. Amor da imperatriz ao seu marido Carlos V, que só terá percebido o quanto amava a sua mulher na hora de a perder. Amor da rainha de Castela aos seus novos reinos. Amor da mãe adorável que Isabel de Portugal soube ser. Irrepreensível a governar, por ausência do rei, Isabel nunca amou o poder. O ceptro, que empunhou com honra e inteligência, pesou-lhe sempre demais.”
Aqui fica o convite para quem quiser estar presente no lançamento oficial do livro. Quem não puder ir pode obter mais informações aqui.AL 

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por AL às 13:48

Quarta-feira, 12.09.12

Agradecimento à cinéfilo

 

Tenho tanto a agradecer pelo ano de vida que passou, que nem sei por onde começar. Primeiro que tudo tenho que agradecer as inúmeras mensagens de parabéns que me encheram a caixa de entrada do FB. Muitos amigos, antigos colegas, mas sobretudo desconhecidos, pessoas que conheço somente da interacção virtual. Estou lentamente a tentar responder a todos; ao fim de dois dias ainda tenho mais de 400 mensagens por responder. Nem vou falar da comoção que me avassalou; fica sub-entendida.A minha família, exemplar e presente como sempre não deixou de comparecer ao repasto que a matriarca preparou. Os netos (Benjamim, Teresa e Maria Francisca) trouxeram a alegria do caos e dois tempos verbais novos: já fizei e não trazei. A A trazou memórias do nosso tempo de guerra; N a lealdade de uma amizade de infância que nada deita abaixo. P veio com 7 retalhos que selam um projecto de vida.Bem-haja a todos; sem vocês e eles nada disto teria sido possível.(Levanta-se agora a sala em aplauso, eu sorrio, limpo uma lágrima ao canto do olho, agarro na cauda do vestido comprido e saio pela esquerda enquanto Billy Crystal entra pela direita do palco com novo envelope na mão)AL 

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por AL às 20:45

Sexta-feira, 29.06.12

Apelo à comunidade cabo-verdiana

A Arina, quatro anos adoráveis, lindos e cheios de vida, é natural de Cabo Verde. Foi internada há seis meses no Hospital Dona  Estefânia com uma aplasia medular gravíssima, o que quer dizer que a medula óssea deixou de funcionar e portanto precisa de transfusões sucessivas para sobreviver. Praticamente não tem sistema imune que lhe permita sequer sair do quarto de isolamento e sobreviver a uma infecção por mais leve que seja. Já teve mil complicações, quer da doença quer dos tratamentos. A tudo tem resistido porque a vontade de viver é indómita.(Talvez não seja do conhecimento geral, mas o Hospital Dona Estefânia recebe muitas crianças vindas dos países africanos de expressão portuguesa. Vêm com doenças graves e muitas vezes ficam internadas meses a fio.)A Arina não tem ainda dador de medula compatível, apesar do esforço de quem a assiste. Já foram feitas análises à família toda e as buscas constantes nos bancos de medula nacionais e internacionais foram infrutíferas. A questão fulcral é que a probabilidade de encontrar um dador compatível é maior quando se procura entre pessoas da mesma origem, porque os genes são mais semelhantes. Em Portugal, tal como no resto do mundo, não há qualquer banco de medula de pessoas de origem africana em geral e de Cabo Verde em particular. Atenção que a palavra chave deste parágrafo é ainda!Daí, surgiu a ideia de lançar uma campanha de sensibilização para doação de medula óssea entre os naturais de Cabo Verde residentes em Portugal. Se conseguirmos passar a mensagem seria fantástico! E mesmo que não seja possível encontrar um dador, esta iniciativa pode deixar uma oportunidade para outro doente que necessite também de um transplante no futuro.Vai haver um período de colheita na Universidade Lusófona no dia 11 de Julho e o Centro de Histocompatibilidade e o Hospital Dona Estefânia estão abertos todos os dias.Se há alturas em que ter um blog ou uma página no Facebook fazem sentido, esta é uma delas. Porque ao fim e ao cabo, a união faz a força e quanto mais formos mais força teremos. A Arina agradece.AL  

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por AL às 01:06

Quarta-feira, 27.06.12

Improváveis

 

"Fizemos tudo o que foi possível. Resta-nos ver se ela reage mas, francamente, não sabemos se ela se safa". Ele, o dono das palavras, médico; ela, a minha filha Joana a esvair-se num daqueles imprevistos de mas-ainda-se-morre-de-parto-hoje-em-dia?. Apertou-se a família num nó de angústia e fadaram-se encantos para que ela não nos escapasse. A minha filha Joana nasceu hoje outra vez e trouxe com ela a minha neta Maria Francisca. Duas laçadas de alegria. Hoje.AL

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por AL às 18:22

Domingo, 24.06.12

Amiga

 Separou-nos a geografia mas nunca a amizade; gostei dela assim que a vi. Soube logo que juntas não só iríamos trabalhar bem como estabelecer laços de vida. Desfizeram-se ontem de manhã. Morreu a minha M, acrescendo o meu desgosto.AL

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por AL às 14:25

Quinta-feira, 14.06.12

A minha twilight zone

 

Amanheceu frio o dia. Luminoso, céu azul com nuvens à Simpsons, embrulhado num vento fresco e cortante que assobiava na baía. Ao virar de uma curva deparo-me com um vulto que rasteja na berma da estrada. Paro e pasmo perante a indiferença da rua; como se zombies fossem e de um vulto invisível se tratasse. Arrastava-se, puxando com os braços o corpo de pernas estendidas, num gesto de comando suado em centímetros. Ligo para amigo: ouve lá, o que faço? Treme-me a aflição na voz; desarticulo o que vejo. Vem à esquadra aqui ao lado de casa, diz-me ele.Mudam-se turnos na esquadra mas o comandante quer mostrar serviço. Não esperam nada pá! Vão já com a senhora que temos ali uma situação. Metem-se os três numa carrinha que segue atrás de mim em tons de emergência. Duas ruas à frente lá está o vulto, inexistente, agora encostado a um muro. Aponto, é aquele senhor. Olham-me os três com ar de consternação. Oh minha senhora, então a senhora não vê que ele é demente? Eu incompreendo. A gente conhece-o! É um louco. Dorme ali ao fundo daquela rua lá, quando se vira ansim (faz o gesto à esquerda com a mão). Costuma passar ali na esquadra, damos-lhe água e umas bolachas. O pobre louco, que agora vejo ser louco, inclina-se e lambe, junto ao bueiro, uma poça de água ainda com o sabão do carro lavado. Como que a sublinhar o enunciado pelo polícia. Eu hesito consternada sem saber que expressão alinhavar. Sinto-me fora do tempo e do modo, estrangeira que sou, e é então que a tragédia vira farsa.O louco toma-nos por assistência. Sorri, dá cambalhotas no meio da estrada, mostra o rabo, bate palmas... Ri ele, riem os polícias, riem os guardas estacionados nos portões, ri quem passa. Riso louco o dele, riso de aceitação e até mesmo carinho dos outros. Familiar naquela zona afinal; todos o conhecem menos eu. Conhecem-lhe o dormir, vão-no alimentando com o pouco que têm. Esperam-no quando ele tarda lá no centro onde o sabem internado. Sabem, quando ele chega, que acabou no hospital a comida dos doentes.Ali o deixamos. Parto, com um travo agridoce e lembro-me de um velho amigo que diz com frequência pois é, no mundo real as pessoas morrem de fome.AL

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por AL às 22:58


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