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... mas com cores! Ao vivo! Angola em Toronto - exposição individual do Miguel Barros, ele também nestas paragens mais árcticas. Ide, ide ver a página dele que vale a pena!
AL
“E não se esqueçam: não há nada de novo debaixo do sol”. Era com esta frase costumeira que acabavam os seminários de um dos melhores professores da minha vida. Durante quatro horas debatíamos história colonial e os paralelismos subtis entre os discursos coloniais de antanho e as “políticas de desenvolvimento” de agora; os mesmos conceitos trasvestidos com novas roupagens semânticas, tornando-os assim inseríveis (e defensáveis) na moderna corrente bem-pensante que, por bem pensante ser, lhes confere legitimidade. Retida em casa há umas semanas (maldita gripe!) engulo xaropes e televisão em doses nada homeopatetas e muito penso eu nele!Vejo o banquinho do mea-culpa da Oprah Winfrey e só me lembro das confissões públicas e mega-julgamentos estalinistas. De diferente só lhes vejo o destino – o dos primeiros era certamente a morte ou o gulag, já os segundos aqui abrem caminho ao registo literário cum filme em Hollywood. Mas lá está, estou febril...Porque é que os pais do estado social quando ficam doentes vão para os hospitais privados? Uma questão perfeitamente parva, nada relevante e, lá está!, oriunda de uma mente febril.Iraque versus Mali, por onde começar? Por onde se quiser que o terreno é fértil e também tem acessórios e danos colaterais. E a mim não me apetece pensar, porque a verdade é que eu estou febril e “não há nada de novo debaixo do sol”.AL
Já não venho a tempo da inauguração (maldita gripe!), mas não quero deixar de recomendar aos leitores maschambianos que o possam fazer, que não deixem de visitar a mais recente exposição do Miguel Barros. Quem não puder ir, pode ver algumas das obras expostas neste vídeo.Uns e outros podem ainda ver este belíssimo vídeo onde o Miguel nos revela o seu quotidiano de inspiração.">AL
Conhecemo-nos há vários anos, em tempos de sol, mar, desamores, escolhas e encruzilhadas. Os caminhos escolhidos não voltaram a cruzar-nos, mas deste breve encontro de então surgiria uma amizade cimentada em laços virtuais. Mulher-menina de sorriso desarmante e ternura no gesto, a Maria Palha documentou em fotografia o mundo por onde se tem dado e que agora se organizou em exposição. Eu, hélas, ainda longe que estou, não vou poder estar lá mas deixo aqui o convite aos leitores ma-schambianos. É já amanhã, sexta feira dia 7 entre as 19h e as 22h na LX Factory, no espaço NetCast. À Maria deixo-lhe um beijo embrulhado na amizade que a distância nunca desfez.AL
A banda[/caption][caption id="attachment_36212" align="aligncenter" width="922"]
O mercado das flores[/caption][caption id="attachment_36213" align="aligncenter" width="922"]
As flores[/caption][caption id="attachment_36214" align="aligncenter" width="922"]
A pitangueira[/caption][caption id="attachment_36215" align="aligncenter" width="922"]
As pitangas[/caption][caption id="attachment_36216" align="aligncenter" width="922"]
O jacaranda[/caption][caption id="attachment_36217" align="aligncenter" width="922"]
A acacia[/caption]E o gala-gala fugiu...
AL
Hoje decidi encerrar a minha página no Facebook. Ah mas porquê, perguntam-me vozes amigas do outro lado do fio. Porque posso, respondo eu. Ir-nos-emos encontrando por aqui, na cooperativa, que não vou deixar de maschambar.AL
Acordou-me o rac-rac do côco a ser ralado eram 3 da manhã. Levantei-me e espreitei da varanda. Duas mamanas buzarinhavam já no quintal. Enquanto uma ralava o côco, a outra soprava com sono o lume que àquela hora teimava em não querer acender. Encostadas à parede, perfilavam-se panelas de tamanhos vários e materiais diversos num prenúncio de festa farta. Um tchova de frangos já depenados e estripados chegou por volta das 10 da manhã. Seis enormes alguidares transbordavam com as folhas da matapa. Fritam-se as bagias e corta-se a manga ainda verde. O arroz, contido numa saca grande ainda cosida em cima, a estrear. Pela porta do quintal um corropio de mulheres e criançada; todos se afadigavam com os preparativos – arrastar mesas, arranjar cadeiras, os colman cheios de gelo, refresco e cerveja. Dois homens arrastaram enorme grade de ferro (secção de um qualquer gradeamento) que posta em cima do lume fez de cama aos frangos que manhã dentro se iam assando. A mandioca farta que nem fardo de lenha, descansou por pouco tempo debaixo de um alpendre, para logo-logo virar chinguinha. Perfumou-se o ar com aromas de iguarias. Acabado agora o repasto entra-me pela janela a música que as mulheres cantam. Um coral harmonioso de cantigas que desconheço, pautadas por palmas, pelo tilintar da louça e pelos gritos da pequenada. Jovens e outras mais afoitas limpam as mãos na capulana e ensaiam uns passos de dança. Gritam-se pilhérias, escondem-se risos envergonhados. Ululam as casadas.Há festa hoje no quintal das traseiras do nosso prédio e a alegria espalha-se em todos os patamares.ALA subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.