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[/caption]Era um industrial de lâmpadas. Aos 65 anos descobriu a fotografia e nunca mais parou. Fotografias filosoficamente surreais, questionando o tempo, a solidão e o sentido da vida. Por modelos tem-se a si mesmo e a sua mulher. Tem hoje 93 anos, quatro livros publicados e inúmeros exposições internacionais. Uns dizem que burro velho não aprende línguas; Garcin (e eu), que nunca é tarde para se começar.[caption id="attachment_33523" align="aligncenter" width="700" caption="Ausencia por Gilbert Garcin"]
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[/caption]Amigo virtual enviou-me um link para o site de uma jovem fotógrafa holandesa até agora para mim desconhecida – Claire Felicie. A colecção dela – Marked – é-me particularmente querida. São 3 fotos a preto e branco de jovens soldados envolvidos na guerra do Afeganistão – o antes, o durante e o depois; vemos de forma singela e brutal as marcas que a guerra nos deixa. No rosto e no olhar, num registo poderoso e comovente.AL
[/caption] Nunca tinha ouvido falar de Mark Laita, fotógrafo americano filho de pais lituanos, até email amigo me ter alertado para ele. Mais concretamente para o seu livro “Created Equal”. Nas palavras de Mark Laita “na América o fosso entre ricos e pobres tem-se alargado, o confronte entre conservadores e liberais tem-se reforçado e mesmo os conceitos de Bem e Mal parecem mais polarizados que anteriormente. Esta minha colecção de dípticos pretende lembrar-nos que somos todos iguais até que o nosso ambiente, as nossas circunstâncias, ou mesmo o nosso destino nos moldem naquilo em que nos tornámos”.De uma forma naïve e muito cândida, Laita apresenta lado a lado imagens de gente díspar mas que, quando colocadas lado a lado, nos remetem também para aquilo que de comum partilham. Uma bailarina e um boxer? Ambos sujeitos a regimes físicos espartanos e dietas rigorosas para alcançarem a mesma desenvoltura de pés. Ambos respectivamente símbolos do feminino e do masculino.[caption id="attachment_32316" align="aligncenter" width="881" caption="Bailarina / Boxer"]
[/caption]São imagens provocadoras e algumas sem dúvida alguma controversas, mas “aquilo que nos realiza pode diferir de pessoa para pessoa, mas tecto, mesa, companhia e felicidade, tudo isto são coisas que todos queremos para nós e para os nossos filhos”.Gostei das suas composições e lembro-me de Sagan que nos dizia sermos todos pó das estrelas.AL
[/caption]Não sei como fui parar ao site de Andrew Cameron e pouco sei sobre ele. Sei que comecei a navegar no site do McCurry e de link em link fui lá parar. De fotografia, assim como de arte aliás, pouco percebo para além do gosto/não-gosto. De técnica percebo ainda menos. Parece-me, no entanto, que o contraste entre McCurry e Cameron não poderia ser maior. McCurry, profissional da arte, tem uma fotografia quase barroca de cor; Cameron, fotógrafo de passatempo, contido no quase sépia que usa. Dois olhares distintos que me agradam, que me contam histórias de encantar e que vos convido a explorar.[caption id="attachment_32240" align="aligncenter" width="721" caption="Fotografia de Steve McCurry"]
[/caption][caption id="attachment_32241" align="aligncenter" width="670" caption="Fotografia de Andew Cameron"]
[/caption]AL
[/caption]A cerimónia de lançamento do livro Património Mundial de Origem Portuguesa com fotos do nosso maschambeiro Miguel Valle de Figueiredo foi ontem na biblioteca da Assembleia da República. Imprevistos familiares impediram-me a deslocação e presença antecipadas. Amigo comum de velha data e amante de fotografia enviou-me estas duas fotos com o seguinte comentário: “... não estão nada boas. Estava a ver que não conseguia tirar; estava cheio de gente”. Orgulhosa que estou com a obra do nosso amigo e desolada pela minha inatendência aqui ficam as fotos possíveis. Confesso que estou de peito inchado!
AL em co-produção com António Maria
Conheci hoje Munem Wasif, fotógrafo oriundo do Bangladesh e que muito me agradou. Fotografias maioritariamente a preto e branco de retratos e histórias do quotidiano que ele descreve com a frase que dá o título a este postal. A foto acima faz parte da colecção “Salt Water Tears”.AL“A presença de um observador define a forma como qualquer acontecimento vai ser visto. E a presença do repórter defina a forma como esse conhecimento vai ser apreendido pelo público. O facto relatado ou fotografado não é realmente mais que uma ‘versão’ desse facto.”
[/caption]Sam Gellman é um fotógrafo americano radicado em Hong Kong (tanto quanto consegui perceber). Diabético, tem sido um activista incansável e modelo da (con)vivência com a doença. Tem um site com algumas fotografias muito boas das diversas viagens que tem feito pela Ásia. Mas as que me chamaram a atenção foram as que ele tirou na Coreia do Norte. Googlei mais e fiquei a saber que são fotografias de um “evento” (Ah! como eu odeio esta palavra) gimno-desportivo na Coreia do Norte, chamado Mass Games, que conta com 100.000 participantes e que se tem realizado num crescendo de grandeza.Num país onde se esmaga o individual em favor do colectivo, as fotografias de Sam Gellman não poderiam ser melhores.480"="480"" height="360" rel="noopener">">
Já à entrada encontro-me com amigos que já não via há muito e agora multiplicados na Diana – um ano de risos e alegrias a estrearem-se hoje na vida cultural. Lá dentro a exposição. Evocação nasceu do repto lançado ao Miguel pela curadora da Casa Museu: ilustrar alguns dos pensamentos de Bissaya Barreto. E o Miguel correspondeu com uma simbiose perfeita de palavra e imagem. A preto e branco para que nada mais perturbe o equilíbrio. São sete citações contadas em 17 fotografias em torno do mundo."Não me sinto homem de planície. Nasci para caminhar na montanha” passa a ser uma história que se conta com esta fotografia:[caption id="attachment_30894" align="aligncenter" width="720" caption="A Serra da Estrela vista a partir da Serra do Caramulo. Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo"]
[/caption]E mais não mostro; convido-vos a irem lá ver. O passeio é agradável, a cidade é bonita, a exposição mais que vale a pena. Um último conselho: rematem o dia com os famosos Pastéis de Santa Clara. Têm até dia 30 de Setembro para o fazer, não se distraiam!ALA subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.